"Ridiculous"

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é fria...

Domingo. Dia de curtir o sol, de passear com a Chandra, de comer em bons restaurantes e, claro, de ir ao cinema.
Apesar de todo o apelo cultural ou apenas feliz que assistir a um filme possa ter, permitam-me partilhar uma nova categoria descoberta nessa incursão pelo mundo cinematográfico.
Decidimos, eu e o Rubino, ir ao Bourbom Ipiranga assistir Tróia (devo ser a última pessoa que ainda não viu o Brad Pit sem, digamos, roupas...). Programamos nosso dia em função da sessão das 18h 20 min. Chegamos lá pelas 18 horas e, com o shopping mais que lotado, restava, por ironia do destino, um único lugar.
Tentei envolver o meu parceiro para assistir Shrek, porém sem sucesso. Ambos já sem paciência e nos sentindo em SP (nosso carro ficou há 200 metros da entrada), tive o brilhante insigth de darmos uma incerta no Bourbom Country.
E lá fomos nós. Estava bem mais calmo, as pessoas pareciam tranqüilas e aguardavam pacientemente numa fila de mais ou menos 100 que se misturavam: Shrek 2 e "O dia depois de amanhã"- sim, Tróia já saiu de cartaz e, já que a idéia tivera sido minha de vir até o Country, achei melhor não contrariar quando o Rubino se entusiasmou em assistir esse "espetáculo".
"Ridiculous", essa é a palavra mágica dita pela Hermioni (Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban) quando ela empunhava a varinha mágica para destruir algo que considerava indesejado. Essa também foi a minha expressão, talvez bem menos efusiva que a personagem de Hogwarts, ao ser indagada pelo Rubino sobre o filme.
É tão completamente clichê essa obra de Roland Emmerich, que acabou por destruir até mesmo o papel de um excelente ator como Dennis Quaid. Como pode um diretor ter uma idéia maravilhosa na mão, baseada em evidências que até poderiam simular uma realidade, e transformar todo esse subsídio em chavões?
"O dia depois de amanhã" é permeado de diálogos desconexos. Tenta colocar sarcasmo, ou humor inteligente, em momentos totalmente impróprios. Tira, retira e torna herméticas todas as possibilidades de alguém crescer e fazer uma performance decente nas cenas. Apresenta decisões importantes que irão definir o destino do filme, porém sem nenhum sentido, como o resgate do filho que ficou preso em Manhattan. Traz cenas de total incoerência - quando os rapazes entram no navio pela sala de máquinas: não existe porta em uma sala de máquinas de um navio, pois essa está SEMPRE embaixo dágua. E a gota d'água mais indigna, repugnante e debochada foi o discurso final que nos brindou com o suposto arrependimento americano por ter desconsiderado durante "todos os tempos" países de Terceiro Mundo, como o México.
Ridiculous! Ridiculous! Ridiculous! Não preciso ter varinha mágica para abominar e enterrar definitivamente esse filme em um compartimento lacrado e definitivamente inacessível de mim. Porém, algo mudou em minha vida, uma nova categoria surgiu, a categoria das coisas que nunca chegaram a ser.

3 Comments

Assim como nos bares que não vendem fiado e colocam a indefectível plaquinha "Fiado Só Amanhã" ao sinalizar que nunca irão vender fiado, eu digo: "Vá assisitir esse filme só no dia depois de amanhã".
Excelente artigo, Soninha...

Soninha no blog! Gostei de Ver!!!
Por sinal, concordo: o filme eh bem meia-boca mesmo.

Assisti com o Rogerio o filme em Pembroke Pines (Florida). Quando o filme terminou as pessoas levantaram-se e ouvi muitos aplausos com vozes gritando "it s great! Nao sei porque ainda me surpreendo, nao poderia ser diferente.

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Sobre este Artigo

Esta página contêm um artigo escrito por Rubis, publicado em junho 20, 2004 11:07 PM.

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