Música Avançada

| | Commentários (3)

marote_santander.jpg

Existem algums eventos que funcionam como Portais na tua vida: cruze o portal e daí para a frente, tudo vai ser diferente, novos caminhos se abrem e uma séries de outros eventos se desencadeiam de uma maneira muito forte.

Foi assim em 1998 quando eu encontrei com o Dudu Marote, de uma forma totalmente ocasional, e a partir desse encontro foi decidida a minha participação no cenário da música e da multimídia em geral. Mas isso merece ser contato com detalhes em um outro artigo, não neste.

Este vai ser sobre o dia de hoje. Um novo Portal acabou de ser aberto: Acabei de chegar do Santander Cultural, onde está ocorrendo todos os sábados o seminário "A Música Eletrônica em Questão". Na semana passada teve o show do HEXA e nesta tarde tivemos um debate sobre música eletrônica com os convidados Dudu Marote e Felippe Llerena, intermediados pelo jornalista e escritor Marcelo Ferla.

O evento foi de muito muito muito alto nível. Incialmente o Llerena falou sobre o panorama da distribuição on-line de música, desde o início da internet até notícias bem recentes (você sabia que a Americanas.com já está vendendo música por download?). O cara é um dos que estão por trás da imusica e explicou bem direitinho como funciona toda a estrutura desse serviço.

Na minha opinião, o Llerena está querendo construir uma nova "plataforma" embasada em "alicerces" do passado. Por mais que se repreenda o troca-troca de audio files pela web, não acredito que seja viável interromper essa tendência. É como tentar represar um rio usando uma peneira: alguma coisa pode ser bloqueada, mas o rio vai sempre estar lá, passando solene perante os cartolas da indústrias fonográfica.

Eu fiz uma pergunta exatamente com essa preocupação, me referindo ao modelo saudoso do antigo MP3.com onde os artistas independentes ganhavam pelo streaming de suas músicas. Eu mesmo já recebi vários cheques da MP3.com referentes as minhas músicas que estavam lá. Enfim, o Llerena é inteligente, tem boas intenções, mas não se apercebeu que esse trem já passou e temos agora que reinventar tudo de novo e não readaptar nossos bondes ultrapassados. Por exemplo, ele falou que uma forma das gravadoras reduzirem as suas perdas e incluírem nos contratos com os artistas uma cláusula que dá direitos para elas sobre um percentual dos shows dos artistas, além de direitos sovre a imagem dos mesmos. Isso somado ao terrorismo de estado que a RIAA patrocina é o fim da picada, e deve ser fadado ao fracasso.

Mas o que é um debate sem o contraponto, sem o diferente? E aí entra o Dudu Marote com as suas idéias da música livre, do COLETIVO, da sua troca da produção de publicidade e artistas consagrados pela música eletrônica e sobre a produção musical com os computadores.

Não vou poder escrever aqui muito sobre o papo do Dudu, pois teria que teclar muito e nesse momento estou ainda meio eruptivo com todas as idéias e informações apresentadas. Mas como o Portal foi aberto, com certez vou escrever muitos artigos sobre tudo isso daqui para a frente.

Inicialmente adotei a definição: Sempre achei música eletrônica um termo meio vago, pois computadores são simples intrumentos e com eles podemos fazer qualquer tipo de som. O Dudu chama música eletrônica como nós a conhecemos de Música Avançada.

O cara falou sobre o movimento que ele está agitando chamado de COLETIVO: os caras com uma área de interesse em comum na música se juntam na web e " engrossam" a produção de uma música. Diferente do VIRALATA do Cholly, a produção é descentralizada e une apenas os "mariscos da mesma praia".

Tudo para o Dudu é a cena. Ele disse que quem faz música boa não o faz para ganhar dinheiro. Ele disse que não percisa tocar bem para ser músico (senão só ia dar jazz no mercado). Ele disse para se juntar a uma cena, fazer o seus contatos e trocar suas idéias. Eu enxerguei que eu sempre fiz isso tudo.

Foi legal ouvir a estória que como ele produziu a tríade mineira: Skank, J. Quest e Pato Fú. Ele também falou muito da cena atual, com um monnnnnte de artistas que eu, na minha momentânea ausência da cena dos últimos 10 anos, nunca ouvi falar. Falou de um festival que acontece na Espanha, das festas de SP, dos equipamentos modernos como o DVDJ. O DVDJ é tão recente que o Google me perguntou: "Você quis dizer: dvdx" quando eu fiz a pesquisa. O papo com o Marote foi muita informação.

Mas o legal foi ouvir que ele foi influenciado pelo disco que eu produzi. O Marote muito delicadamente fez várias vezes menções ao meu trabalho e disse literalmente que a minha produção com o Edu K no Kingzo mudou a vida dele!!! Uau... fiquei vermelho e o coração disparou nesse momento!

Por fim o Dudu Marote falou sobre a evolução dos programas de música no PC, começando pelo ATARI (eu comprei o meu em 1988 quando vi o dele), Notator, Logic Audio, REASON e agora o LIVE. Ele colocou o LIVE no céu, e nesse momento eu estou fazendo o download desse programa.

Foi uma tarde super importante, por ouvir o Dudu e também ver muita gente legal que eu não via há tempos, como o DJ Ednei, a Marília Barcala, o "monstro da Lagoa da Guarda de Embaú", e tantos outros, e também conhecer muita gente nova bem legal.

Eu achava que o Marote tinha o segundo maior ego do mundo. Hoje eu conheci um novo Marote, talvez pela oportunidade do evento, talvez pelo tempo vivido por ambos... afinal já estamos quarentões... Esse novo Marote se mostrou simples, direto, experiente pelas diversas situações que a vida na música lhe proporcionou, mas ainda sempre inovador e incentivador. Esse foi e continua sendo "o cara"!

se você leu tudo isso e ainda clicou para ler esse restinho, não colocar nenhum comentário teu nesse artigo é uma baita sacanagem. Vamos lá, quero saber o que você achou disso tudo...

3 Comments

Eu gostaria de saber o e-mail do Dudu Maroto...para entrar em contato com eli..obrigada!

eu também...

Oi, Rubino!

Achei legal esse negócio todo mas convenhamos: esse negócio de: 1)Não se faz música boa pra ganhar dinheiro é conversa, né? Esse negócio de "coletivos", sei não... Será que compra o leitinho das crianças? E se os Supermercados fizessem um coletivo pra dar umas cestas básicas em troca da música produzida pelos coletivos? Tá bom, tô sendo sarcástisco e descrente, mas será que a humanidade mudou tanto assim nos ultimos tempos? Será que o advento da "Música Avançada" tornou as pessoas mais humanas e tolerantes?

Ganhar dinheiro com a música é feio, né? Mas bem que o Skank deve ter rendido uma graninha. Tocar bem é feio, mas "o cara" da "música avançada" pega uma gravação do João Donato (que tocou muito bem o seu Fender Rhodes), remixa e coloca uns loops e uns plim plins em cima e depois diz que tocar bem não serve pra nada. Quer dizer que é só em jazz que a gente pode tocar bem? Não se pode tocar bem música clássica, rock, funk music, etc. O cara que toca muito bem é visto como o virtuose chato, o cara que é toca "direitinho", chamam de pretensioso, está tentando tocar como o virtuose e o cara que toca mal é o máximo por ser um cara esforçado e legal, que não incomoda ninguém.

Ninguém mas do que eu torce por um mundo melhor, mais generoso, por fazer arte pela arte, não importando se for tocar bem (ou mal) um instrumento, ou colar (bem ou mal) samples e loops. Não tenho nada contra a "música avançada", contra a música eletrônica, o fox trote nem contra o Skank, mas não sejamos cínicos porque o mundo em que vivemos é o mundo do capital.

De mais a mais, gostei de conhecer você. Espero criar um pouquinho de polêmica.

Grande Abraço

Julio "Chumbinho" Herrlein

chumbonet@ig.com.br

www.julioherrlein.com

Deixe um Comentário:

Arquivos Mensais

 

 

Powered by Movable Type 4.1

 

MondoVR no YouTube

 

 

 

 

 

 

 

Recados

 

Sobre este Artigo

Esta página contêm um artigo escrito por Rubis, publicado em julho 10, 2004 7:53 PM.

Música eletrônica por palavras acústicas é o artigo anterior.

Novo design do Mondo VR é o próximo artigo.

Veja os arquivos recentes na Página de Entrada ou veja os ARQUIVOS SECRETOS para ler TODO o conteúdo do Mondo...

 :

(c)2004-2008 by Vicente Rubino - Vamos Além

 :