O texto abaixo é retirado do "Diário de Itacaré", escrito por Soninha Zaard em 29/10/2000:
Chegamos ao Charel. Trata-se de uma pequena península de pedras avançando exatamente na junção do rio com o mar. Em cima é plano, gramado e com uma área arredondada. Os moradores locais fizeram banco bem simples de tábuas, em toda a volta e o centro ficou vazio. Ao lado dos bancos observamos bromélias recentemente plantadas pela Luzitana que, segundo nossos novos amigos Gustavo e Lu, é a proprietária da tenda de melhor comida da praia. Preciso me conter na emoção para que possa narrar com fidelidade o que presenciei nesse momento:De cima do Charel vislumbramos todo o imenso e belo oceano que rodeia Itacaré, também vemos o Rio das Contas, que alimenta esta cidade, vemos a outra margem onde fica o centro da cidade. Aliado a tudo isso, chegamos lá numa hora muito especial. Os moradores locais, jovens, crianças, e adultos praticantes da capoeira estavam dançando e tocando seus birimbaus no espaço aberto no centro do Charel. Nos bancos, em volta, algumas poucas pessoas como nós, se enterneciam com a originalidade desse momento. Naquele momento permaneci calada e consegui alcançar o entendimento da felicidade. Ela é a magia das coisas simples, que Deus nos dá assim, sem procurarmos, mas ao mesmo tempo sendo muito atentos para os sinais do universo. Estava Feliz como nunca antes estive.
“É lá da Ponta do Charel
Que eu ouço o badalar dos sinos
Da Igreja São Miguel”

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