
Você é o que você usa? Você tem opinião própria??? Então, publicidade para o quê? Para tentar suprir nossas carências! Só que isso nunca funciona!
Nossas carências afetivas, a aceitação de nossos pares, a imagem do nosso ego, e várias outras questões são erroneamente "resolvidas" pela idéia do consumo: Os comercias da tv te mostram a "margarina que vem com a família linda e harmoniosa", o "desodorante que faz você pegar todas as gurias", o "shampoo que te transforma em uma executiva sedutora", e por aí vão os arquétipos da tua idealização, fabricados pela sociedade de consumo...
As coisas valiosas, que fazem a diferença não são propaladas na propaganda. Ainda que em alguns comerciais, os "publicitários bonzinhos", lobos sob capas de cordeiros, utilizam descaradamente imagens de amor e paz para vender sabonete e "fixar" marcas. Os comerciais de fim de ano são um exemplo disso. Detesto "top-of-minds".
E o pior está com a publicidade nas ruas, nos out-doors. Essa não tem jeito de evitar. Não dá para simplesmente fechar os olhos. Para a poluição sonora, você tapa os ouvidos. Para a poluição do ar, você usa máscara. Mas, e para a poluição visual???
São Paulo está no ápice da decadência publicitária na rua. Aqueles out-doors iluminados (front-lights) estão por toda a parte. De noite parece uma Broadway interminável... Lá tem uns painéis como tvs gigantes passando ininterruptos comerciais na rua. Os outdoors "convencionais" agora são triplos no comprimento e muitos deles possuem elementos que saem dos limites do retângulo do otdoor, chamando ainda mais a nossa atenção... Agora todos os outdoors são assim.
Eu estava passando em frente ao Play Center e ao tentar ver a montanha russa, me deparei com um inacreditavelmente grande out-door da Claro Digital! O taxista me falou orgulhosamente que se tratava do maior outdoor do mundo! Bem na frente de um parque de diversões. Que absurdo!
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Daí você olha para o céu, para tentar desviar o olhar dessa poluição e que você vê??? Um zepellin da GoodYear flutuando sobre o Tietê. Ai ai ai...
Nessa época do ano, transbordam os anúncios sobre faculdades. No Metrô paulista, dentro do vagão, chegam a ter 8 cartazes de diferentes faculdadezinhas caça-níqueis. O coitado que usa o transporte, que fica o dia todo no stress do trabalho, quando volta para a casa é bombardeado com mensagens que o "seu sucesso profissional está na Faculdade Cabrobó"... Que tristeza... A parte boa da estória é que essas fábricas de canudo estão falindo, pois não existe tanta demanda para essa oferta absurda de diplomas.
Na 23 de Maio, tem um dos piores exemplos dessa poluição: um prédio outdoor da Siemens. Simplesmente medonho. Nunca usarei esse celular só por isso: por enfeiar a cidade. Um prédio inteiro, sem janelas, e nos seus quatro lados com fotos de pessoas usando um celular "off-road". Qua!!! Os publicitários são totalmente sem noção, e bem-feito para os descerebrados que os contratam.
Por que isso não são anúncios. São "anúncios do fim". A publicidade é a distinção entre os supérfluos.
Eu tenho uma solução, ainda que não definitiva, mas que ajuda a combater os efeitos deletérios desse lixo visual. PARA CADA METRO QUADRADO DE ANÚNCIO A EMPRESA TERIA QUE PATROCINAR 4 METROS QUADRADOS DE ARTE. Imagine a cidade como sendo uma exposição de arte ao céu aberto...
Coisas como amor, amizade, respeito, união, paz, alegria, criatividade, prazer, parceria e outras "boas vibes" nenhuma empresa pode embalar, anunciar e vender. Essas coisas não se embalam e não se vendem. Não custam nada, mas valem muito.

Disse tudo!
O mais bizzaro disso tudo é que, além de poluir o visual, é praticamente impossível medir o resultado de qualquer investimento nesse tipo de mídia...
Assista um filme chamado Surplus (se jah nao o viste). Eh uma crihtica ao consumismo. Bem interessante a maneira como o filme foi feito e as crihticas bem cruas sobre o sistema no qual estamos vivendo e sua possibilidade de continuidade a mehdio/longo prazo. Just my 2 cents.