A "Igreja" do Trance "Divino"

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Eu estava em meio a uma linda floresta, com muitas flores amarelas e liláses. Aves multicores cantavam em uníssono uma melodia maravilhosa. Um grande sentimento de paz se ancorava dentro de mim, quando de repente... tiiii tiiii tiiiiii!!!! Meu celular me acorda com uma mensagem do Calliari: "Rubis, vai passar a Igreja do Trance Divino agora, no programa do Jô".

Pulo da cama, acordo a Lú e vamos assistir a entrevista...

A matéria começou com uns caras botando um som no meio do auditório. Não dava para entender bem o que se passava lá. As figuras eram estranhas, talvez "bizarras" seja uma definição melhor: Dois caras com camisetas de ET que nem o Mulder do ArquivoX usaria e uma gordinha usando uma bata, ou uma frente única, sei lá, em estilo mais para seguidora do OSHO (e ela era...) do que Psytrance Roots... Enfim... Começa a entrevista.

As três figuras bizarras são Veet Prayas, Gauthana e Kuyana. Eles são os fundadores da 'Igreja do Trance Divino'.

Todo o tom da entrevista foi de brincadeira, como não poderia deixar de ser algo com essa proposta. Mas o pior é que os "pastores" faziam questão de escrachar tudo, falando de dízimos pagáveis em 10.000 anos, doações de Rolls Royces e outros credos materialistas.

Nas poucas chances que eles tiveram para dizer algo esclarecedor sobre a cena trance, pisaram na bola. Exemplo: O Jô menciona o problema das drogas e os pastores ríspidamente dizem que isso é problema da Polícia Federal prender os traficantes. É claro que existem traficantes aonde existe o consumo e aí é que devem ser feitas as medidas conscientizadoras: nas pessoas que vão às raves só para se entopir de "bala".

O Jô chamou o som do trance de bate-estaca e os caras se perderam na explicação que o som trance é o som de Deus e tal... O Jô os destruiu quando disse que vai ter mais reverência com as britadeiras.

Para acabar de vez com a minha simpatia com a entrevista, o Jô chama começa a falar sobre o Osho, e a gordinha vai tirar tarot para o Bira. O Jô, obviamente penalizado com a situação da entrevistada, dá 100 reais para ela!!! E ela agradece em nome da Igreja!

Depois veio aquele papo besta sobre a profissão de funcionário público do pastor e sobre JúJú. O sono voltou a me atacar.

A TV tem uma preferência por lixos culturais. O programa do Jô, que já foi inteligente, agora é uma sucessão de bobagens caricatas. Estamos na frente de um apenas mais um lixo. A Igreja do Trance Divino não ajuda em nada o movimento do PsyTrance, nem no entendimento do Divino e muito menos no esclarecimento da importância da Religião.

Muitas pessoas tem preconceitos sobre Religião. Preconceito é um conceito prévio. A origem da palavra religião é "re-ligare", ou religar-se. Isso todos nós aqui precisamos. Religarmo-nos com o Divino que habita em nós, que é o nosso Eu Interior, e com o Divino que habita no Planeta que é a Mãe Natureza. E quem sabe, nos ligarmos ao Divino que está no infinito do Espaço...

Infelizmente todos nós sabemos também dos problemas que o fanatismo, o oportunismo e outras coisas indesejáveis que a religião também causa no mundo. A Igreja do Trance Divino é apenas mais uma pequena expressão desse segmento.

Que assim não seja!


[Sede da Igreja em Alto Paraíso - Foto by Rúbis]

1 Comments

Lamentável ver algo desse tipo em uma fase de plena decadência do psytrance no mundo todo.
Justamente quando alguém tem toda oportunidade de falar algo produtivo, vai lá e faz aquele papelão diante das câmeras (da Globo!!)
Nossa cultura já é ridicularizada, tida como uma cultura das drogas, de gente louca que dança sem fundamento. Essas pessoas não precisavam ter ido até lá para reafirmar isso como se fossem os nossos representantes!
Não é assim! ninguém falou pra eles? Será mesmo que eles não sabem a origem do psytrance? porque não explicaram melhor? tinham toda chance!
Falam de E.T.s como nos anos 60 onde tudo era mera ficção, mera viagem de usuários de LSD.
Não têm fundamentos no que dizem, não têm estudos sérios, acham que só é preciso dançar para salvar o planeta...
Levam tudo na brincadeira enquanto as coisas vão ficando cada vez mais sérias.
As pessoas não precisam apenas dançar. é preciso consciência e atitude madura para salvarmos nosso planeta e, com toda certeza, não é um bando de abobados sem juízo que vai conseguir isso.

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    Esta página contêm um artigo escrito por Rubis, publicado em abril 11, 2007 10:16 AM.

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