O Caboclo Pajussara

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O Caboclo Pajussara é um bom sujeito. Nascido e crescido no campo, Pajú tem um espírito calmo.

Durante sua infância, brincava nos matos, andava com os bichos. Na curta adolescência, já que de onde ele vem os jovens viraram homens bem rápido, teve breves amores, até que uma luz falou mais alto.

Caboclo por natureza, se embrenhou de calção e tudo mata à dentro. Lá conheceu o pio da Coti e o brilho da flor do Butiti. Aprendeu a falar a língua dos bichos. Nos sonhos, aprendeu a língua dos Anjos.

O Caboclo Pajussara tinha muitos Guias. Com eles se adonou dos ensinos que estão na tradição primordial. A teoria vinha do Astral, e as aplicações práticas, ela fazia aqui na Matéria mesmo.

Até que chegou a hora de pular do ninho. Parecia até seu renascimento. "Como é difícil nascer" - ele pensava, enquanto do Astral, seus Guias lhe estendiam as mãos, num nítido sinal de apoio e confiança.

Se a coisa não tem jeito, diga: "Ai ai ai, a coisa não tem jeito". Depois continue: "E já que a coisa não tem jeito, não tem outra coisa a fazer...", e respire fundo. E já que não tem outra coisa a se fazer, finalmente concorde: "Já que tem que ser feito, eu estou fazeeeeendoooo". E de uma vez só, impulsione o teu corpo para a frente e voe na dimensão do desconechido.

Caboclo Pajussara gemeu, tremeu, respirou e pulou. Fez o que tinha que ser feito, sabendo que o tinha que ser feito era realmente a única coisa a se fazer.

Este não é o fim da estória do Caboclo Passujara. Essa estória continua, e está sendo escrita agora.

Eu não sou o Caboclo Pajussara, mas podem me chamar de Rúbis.

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    Esta página contêm um artigo escrito por Rubis, publicado em abril 18, 2008 7:39 PM.

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