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Desde que eu entrei para a "cena" tenho visto vários "live acts". Vários mesmo, inclusive os meus... Eh eh eh!!!
Vou escrever um pouco sobre o Live Act. A tradução literal de Live Act é "Ato ao Vivo". Vamos dissecar isso...
Ato é Atuar, é Ação, é Atitude. Em cima de um palco você transcende, interpreta, passa uma mensagem para a platéia. Em meus "acts" eu passo aquilo o que eu sinto no momento. Eu brinco com o momento. Atuo. Em Garapiá, falei com a galera, fingi tocar o celular, toquei guitarra... Em outras situações, como na PsyPrivate4Friends eu fiquei mais introspectivo, e harmonizado com o clima de chill-out de fim de festa, desacelerei e entrei na vibração de sons etéreos tirados dos sons do Absynth.
"Act" sem atitude para mim é perder um momento onde se pode agir, atuar. Eu sei que se pode atuar de várias intensidades e não quero aqui dizer que tem que se "pendurar melancia no pescoço", mas sim, não se pode deixar de passar a sua presença. Presença é tudo!
Já sobre o "Live" a dissecação fica mais complicada. A música é um universo próprio, que tem as suas próprias dimensões: andamento, timbre, altura e... silêncio! Entrar nesse universo requer que se desapegue de conceitos prévios e que se foque a atenção no Agora.
Música "ao vivo" hoje é algo subjetivo. A música depende de um ritmo definido, de um andamento. Numa orquestra isso é função do maestro. As bandas pop tem bateristas, que muitas vezes seguem um metrômetro ou tocam em cima de um sequencer. Na música eletrônica é que a subjetividade aumenta muito. Acho que a música mais ao vivo que se pode ter é o Jazz, mas todos sabem o que acontecem com os nossos ouvidos quando cada músico de Jazz resolve improvisar e fazer o seu próprio andamento... aha ha ah ah!!!
Na música eletrônica, que denomino Música Avançada, fazer algo "ao vivo" sempre cai em alguma limitação. Abaixo estão alguns modos:
bases em cd: é o velho estilo Milly Vanilly: play back descarado. As bases e as vezes até os vocais estão em CD ou DAT, e alguns elementos são tocados sobre essas bases. Não existe improvisação, nem possibilidade de se alterar a duração da música, ou de sua velocidade. Tudo é rígido. Tocamos assim com o De Falla no HollyWood Rock.
bases em sequencer: aqui entra um sequenciador que pode ser na forma de um computador com softwares como Cubase, Logic Audio, Reason ou outros, ou equipamentos dedicados (hardwares) como ROland MC500, Kawai Q80 ou outros. Os hardwares costumam dar "menos travadas" do que os softwares, mas são mais limitados: menos recursos de edição, menor capacidade de executar várias notas simultaneamente e outros problemas. Já fiz e faço vários Lives assim, antes com o Logic e mais recentemente com o Reason. Vários produtores de musica avançada também fazem isso. O problema que apesar de ser possível alterar a velocidade e inserir repetições no meio da música, ainda se fica limitado à estrutura pré-determinada da música.
bases no software Ableton LIVE: é o "estado da arte" da música avançada. O Ableton LIVE é um soft que roda no Mac e nos PCs é a integração de um sequenciador com audio digital que permitem em tempo real mesclar os pedaços de sua composição alterando-se o tempo e afinação e assim ir compondo momento a momento uma nova cara para a sua música. Ele é a libertação geral da improvisação na música avançada ao vivo. O Ableton LIVE é o meu novo brinquedo tecnológico e é o meu instrumento atual.
Qualquer que seja a base escolhida, o que está lá não é executado "ao vivo". Então quanto mais você deixar partes nas bases e menos você executar, menos você vai passar para a sua audiência a sensação que está se fazendo música ao vivo. Tenho visto na cena psy os produtores que estão fazendo Live Acts apenas e de vez em quando apertarem algumas teclas e se limitarem a ficar com o vício advindo dos DJs de ficar mexendo no botõezinhos de grave, médio e agudo... Que comédia! E lá isso é Live? Mas tem gente que acha que sim, e se acha...
Eu enfrento o preconceito contra a música avançada e suas bases há mais de uma década. Já discursei numa apresentação o seguinte ponto de vista: "Quando se vai ao Lovre ver a MonaLisa, não se espera ver o Leonardo pintando, e sim se admira o resultado de sua criação. Em música avançada deveria ser o mesmo".
Live Act tem que ser espontâneo, livre e isso sim que traz uma conotação de viva, de "ao vivo". E se tiver atitude então, se for possível passar a sua presença, a sua emoção, então está tudo perfeito.
Meus Live Acts na cena psytrance foram TODOS diferentes. Nunca toquei as mesmas músicas e entro no "palco" aberto a conjunção dos fatos que fazem as circunstâncias do momento serem únicas.
Repitam comigo: "Live Act é assim!!!"
