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(Chuva do) Outro Mundo

por que chove tanto nas festas psy... por que?!?!?!
[tinha uma faixa legal aqui...]

Um "Outro Mundo" é possível!!! Mas quem iria preconizar aquele dilúvio? Se for julgar pela quantidade de pessoas que se espremiam na Free-Way no caminho de Porto Alegre para as praias, ninguém!

A expectativa estava alta para o OUTRO MUNDO. No final da tarde começo a arrumar "my stuff" tradicional de festas open-air com cara de festival: mala de roupa, mala de equipamentos, barraca, colchão inflável, caixa térmica, cartucheira, etc. Tudo sendo feito "muito" calmamente... Eu pretendia chegar no "Camp" às 20:00 hs, mas nesse horário ainda estava em Porto Alegre, dentro do Supermercado. Ainda passamos na casa da Andrisa, e lá pelas 21:00 hs estávamos no "Caminho-Livre" (Free-Way)... Que caminho livre que nada!!!

A estrada estava totalmente parada. Um engatar e desengatar de 1.a marcha e ponto morto que me dava arrepios. Logo depois do 1.o pedágio a situação travou de vez. No céu, a Lua Cheia toda prata, sorrindo para nós. Mal sabíamos que era um sorriso de ironia...

Algo se desregulou em mim. Falei calmamente para a Andrisa: "Não tô legal". Ela me deu um chocolate, prometendo que eu iria melhorar. Mas na verdade, piorei. No segundo pedágio a Drisa assume o "guidon", e continuamos naquelas de 1.a e ponto morto até o fim da Free-Way. Foram mais de duas horas para percorrer os seus míseros 100 km. E ainda faltavam mais 50... Ai ai ai...

Paramos (como todo mundo) no postinho da Estrada do Mar. Ficamos lá por uma hora, e já passando da meia noite, prosseguimos viagem , agora comigo no volante.

A Estrada do Mar estava ainda lotada. A galera ensandecida para o Planeta Atlântida, sei lá... Ligo para a Danizinha e pego as dicas do local da festa. Só que eu confundo "Capão" como sendo "Capão da Canoa" e não "Capão Novo". Resultado: festa rave sem se perder não é festa rave. Esse seria uma baita festa: me perdi pra karálheos... Alguns telefonemas mais, e uns 20 kilometros depois, estamos na festa.

E tinha bastante gente! Pergunto para o Bê indicações de onde era melhor acampar e levo minhas tralhas para o meio do mato. Mas o normal aconteceu: Fui sugado por todos os lados por milhões de mosquitos, pernilongos e borrachudos. Acho que ajudou para baixar a minha pressão, que devia ainda estar muito alta, mas a dor e a coceira foram difíceis de aguentar. Descarrrego uma lata de inseticida dentro da barraca, fecho-a e... vou pra piiiiista.... Deviam ser duas da manhã.

E o que era aquilo? A galera dançando e dançando, mais parecendo um surto coletivo de ataque epilético. O Calliari se aproxima e comenta que o pitch do CDJ estava no "Talo" e o contador de BPM cravado em 150 bpm!!! Aquilo não era mais Psytrance, mas sim, outro estilo musical.

Chega o Fábio e ficamos nós três filosofando sobre os estilos do trance e suas variações. Nós somos adeptos de BPMs mais moderados e tradicionais, e assim ficamos lançando as novas variações do Psy, como o "Psy-Regressivo" (ou apenas Regressive) e o Full-Off, que seria um Full-On, mais compassado. Quá quaá quááá...

A Drisa vai pro carro, e eu resolvo ir deitar um pouco na barraca. Olho para a Lua e ela continua com aquele sorriso sacana. "Uhmmmm...", desconfiei...

Foi entrar na barraca e ouvir os primeiros pingos, que logo se transformaram numa cachoeira sobre a minha barraca. Uma super-hiper e inacreditável tempestade se abatia sobre o Camp. E foi assim, sem parar até de manhã.

Com a luz diurna começo a avaliar a situação. Agua e mais água, por todos os orifícios, que dada a avantajada experiência da RubisToca, são muitos. Lá fora o psy continuava, mas num volume bem menor. Soube depois que a Polícia veio reclamar porque "eles não estavam conseguindo dormir (?!?!?!)"... rsrsrsr...

Já passavam das 09 da manhã e uma ação era necessária. Tinha muita água dentro da RubisToca, mas graças a altura do colchão inflável, eu continuava seco, mas todo o resto flutuava no recinto. Com muito custo desinflo o colchão e vou na chuva até o carro (looooonge) levando a mala e o colchão dobrado.

Volto com o guarda chuva e dou uma parada na piiiiiista. A Sabrina estava tocando um Full-on Rainny Morning poderoso e a galera dançando a mil. No rosto da Sabrina, a mesma expressão de felicidade misturada com incredulidade que a Akasha já havia utilizado durante a PsyPrivate8. Coisa bonita de se ver. Pena que a filmadora estava no carro... Ensaiei uns passinhos embaixo do guarda chuva, mas resolvi ir para o chill out, que era o único local seco da festa. Falei com alguns amigos lá, como o Luquinhas e com o Japa. Retorno ao dilúvio para a pior etapa: desmontar RubisToca.

Depois de muita chuva no lombo, dobro mais ou menos todas as tralhas e despejo aquela gosma no porta malas da Astra-o-Nave. Mastigo alguma coisa como café da manhã, acordo a Drisa que ficou todo esse tempo dormindo no carro e mesmo sabendo que provavelmente "um dia o toró haveria de passar", eu já havia passado de meus limites. Vim para a festa com a expectativa de confraternizar com os amigos num churras, tomar um sol, ficar na piscina e talvez até ir para a praia, mas a chuva mudou tudo. A galera parecia estar feliz, mas não eu. Resolvi voltar.

Deixei a única foto a ser tirada para a entrada da Festa. Queria fotografar a faixa que estava no portão. O Calliari me disse que quando ele percebeu que a faixa tinha ficado de cabeça para baixo, ele iria arrumar, mas um cara passou e achou "psicodélico" e ele resolveu deixar assim mesmo.

Na saída, a faixa não estava mais lá. Eu sei que um "Outro Mundo" é possível, mas esse para mim foi impossível. Bom sábado de tarde e excelente Domingo. Aqui agora está sol. Imagino que aí também....

Comentários (2)

Klaus:

Ae Brother!!1
Pena que não deu mto certo p ti...
eu acabei nem indo, a chuva atrapalhou ateh a minha ida...
Mas só quero te parabenizar pelo artigo, tu escreve bem p kralho!!
Flw

Danizinha:

Eu acho que tu tem que comprar um barraca nova, imagina se chover de novo no Garapiá??? Eu não te deixo ir embora hehehehe

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Esta página é de um artigo publicado em fevereiro 11, 2006 6:33 PM.

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