Cena comum na outra cidade na qual eu morei, Recife, Porto Alegre hoje me surpreendeu com um fato que ainda não tinha visto por aqui.
Estava eu andando pelo Elegante Bairro dos Moinhos (quaaa!!!), mas precisamente em frente das escadarias do Shopping que leva o mesmo nome do bairro, quando uma pessoa que saia do shopping saboreando um sorvete é interceptado por um menino de rua:
- Tio, me dá um pedaço? - pediu o menino.
- Como assim? - estranhou a pessoa.
- Um pedaço do sorvete. - explicitou o menino.
"Pedaço de sorvete" é algo que não se dá! Ou você dá todo o resto do sorvete, ou diz um "Não!" bem dito, que foi o que a pessoa disse ao menino.
A sensação que me vem é a sensação de raiva. Não necessariamente raiva do menimo, apesar de sentir raiva dele também. Raiva dessa situação econômica e sua injusta distribuição de oportunidades e de renda. Raiva de não se poder mais saborear um sorvete tranquilo na rua. E o menino, que não era tão menino assim, devendo ter uns 14 anos, já tem a consciência que "pedaço de sorvete" é algo que não se pede! Por que é totalmente anti-higiênico. Não dá para dar um pedaço e continuar comendo. Vai dar como? Na mão do guri? Na boca de pauzinho? Como!?!?! Hora, faça-me o favor!
No Recife não era possível tomar um picolé na rua sem ser assediato pelos famintos e calorentos. Porto Alegre vai agora pelo mesmo rumo. Vou mudar para uma cidade do interior, na Serra, para poder tomar meu sorvete sossegado. Já sei: vou mudar para Nova Roma do Sul!!!
Putzzz... Lembrei que lá não tem sorveteria!
